Equilíbrio mental pode impactar diretamente decisões de empresários, aponta especialista

Em um cenário de pressão constante, excesso de informações e alta cobrança por resultados, cuidar da mente deixou de ser um luxo para se tornar uma necessidade — especialmente para quem está à frente de um negócio. A boa notícia é que o equilíbrio mental não é algo que se tem ou não se tem: ele pode ser treinado, como qualquer outra habilidade.

Essa é a proposta central da Neurociência Positiva, abordagem apresentada pela especialista em Neurociência e Comportamento Juliana Zellauy em seu livro mais recente. A obra propõe caminhos concretos para desenvolver clareza mental, estabilidade emocional e maior consistência nas decisões do dia a dia — temas que fazem parte da rotina de qualquer empresário ou gestor.

Para quem lidera equipes e toma decisões constantemente, o impacto é direto. Decisões tomadas sob pressão ou de forma impulsiva tendem a ampliar riscos e comprometer resultados no médio e longo prazo. Nesse contexto, saber gerenciar a própria mente passa a ser tão importante quanto dominar o mercado em que se atua.

Um dos conceitos centrais da abordagem é a Teoria da Interface Executiva, desenvolvida pela própria autora. Ela organiza o funcionamento das chamadas funções executivas — como atenção, controle emocional e tomada de decisão — e explica como essas capacidades moldam a forma como reagimos às situações do cotidiano. No ambiente empresarial, essas funções estão presentes em praticamente todas as demandas de quem conduz um negócio: de uma negociação tensa a um conflito interno, passando por decisões financeiras de maior impacto.

A proposta não é eliminar as emoções — e esse ponto merece atenção. O que a Neurociência Positiva defende é a interrupção de respostas automáticas, aquelas reações que acontecem antes mesmo de pensarmos com clareza. Desenvolver essa capacidade de pausar antes de agir pode fazer diferença real nos momentos mais críticos da gestão de um negócio.

A obra também traz elementos práticos que muitas vezes são ignorados na rotina de quem lidera. O chamado tripé ASA — Alimentação, Sono e Atividade Física — é apresentado como base para a clareza mental e a produtividade. Técnicas como mindfulness e autodistanciamento, que permitem observar os próprios pensamentos com mais objetividade, completam o conjunto de ferramentas abordadas ao longo do livro.

Outro aspecto relevante é a crítica à chamada positividade tóxica — a ideia de que basta “pensar positivo” para superar dificuldades. A abordagem propõe o caminho oposto: encarar as emoções difíceis de frente e utilizá-las como fonte de aprendizado. Para o empreendedor, isso significa desenvolver uma relação mais madura com os erros e as adversidades, transformando momentos difíceis em oportunidades reais de crescimento.

A trajetória pessoal da autora também contribui para dar credibilidade à proposta. Juliana Zellauy passou dois anos vivendo com a família a bordo de um veleiro, em um período marcado por incertezas e adaptações constantes — uma experiência que dialoga diretamente com a realidade de quem conduz um negócio em cenários imprevisíveis.

No fim das contas, a mensagem central do livro é simples e poderosa: a forma como o empreendedor gerencia a própria mente pode ser tão determinante para os resultados do negócio quanto qualquer estratégia comercial ou financeira. E o melhor — isso pode ser aprendido.

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