Com a Reforma Tributária em fase de testes em 2026, empresas que não se adaptarem ao novo modelo de créditos fiscais correm o risco de pagar mais imposto sobre as mesmas operações e repassar o custo ao consumidor final. O alerta é de Fábio Edelberg, CEO da Navecon, empresa de gestão contábil e planejamento tributário que administra mais de 1.300 CNPJs da indústria e do comércio.
O novo sistema tributário em implementação é baseado na não cumulatividade plena, em que o crédito passa a ter natureza financeira. Na prática, isso significa que as empresas poderão descontar o imposto efetivamente pago na compra de insumos ao longo da cadeia produtiva — mas apenas se operarem com fornecedores regularizados e registrarem corretamente todas as notas fiscais. Quem falhar nesse rastreamento perde o direito ao crédito e, consequentemente, paga mais tributo sobre a mesma operação. “Duas companhias do mesmo setor e com faturamento idêntico recolherão volumes diferentes de tributos a partir do seu nível de compliance fiscal”, afirma Edelberg.
A transição começa com uma alíquota teste de 1% em 2026, dividida em 0,9% de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e 0,1% de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A partir de 2027, as empresas já poderão descontar parte dos tributos pagos em compras de insumos, serviços e mercadorias. O prazo total de transição para o novo sistema vai até 2033. O objetivo do modelo é reduzir o chamado efeito cascata, quando impostos são cobrados repetidamente ao longo da cadeia econômica — mas o acesso aos créditos depende diretamente da organização fiscal de cada empresa.
O cenário atual, segundo a Navecon, é de lentidão nas adaptações. Um levantamento recente da plataforma Gestão Click apontou que apenas 8,5% das empresas iniciaram ajustes operacionais para o novo modelo. Para Edelberg, essa demora tem custo imediato. “A lentidão corporativa na revisão de contratos e na adequação de sistemas de faturamento se converte em perda financeira imediata para o setor produtivo”, alerta. Para o especialista, empresas que se organizarem antes da implementação terão mais previsibilidade para operar e tomar decisões estratégicas.
As informações são baseadas em análise de Fábio Edelberg, CEO da Navecon, empresa de gestão contábil e planejamento tributário com sede em Santa Catarina e atuação nacional.

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