A malha fina já atingiu 11% das declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física entregues em 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério da Fazenda. Das 9,1 milhões de declarações enviadas até o momento, 881,6 mil foram retidas pela Receita Federal. O percentual está acima dos 8% registrados no mesmo período do ano passado, embora a própria Receita sinalize que o índice tende a cair conforme o prazo de entrega avança e os contribuintes corrigem inconsistências.
Para especialistas, os erros mais comuns envolvem omissão de rendimentos, divergências em informes financeiros e despesas declaradas sem a devida comprovação. O contabilista Fábio Edelberg, CEO da Navecon, aponta que a retenção ocorre principalmente quando há diferença entre o que o contribuinte declara e as informações enviadas à Receita por empresas, bancos, clínicas, hospitais e outras fontes pagadoras.
O cenário chama atenção em um ano em que 61% dos declarantes utilizaram a declaração pré-preenchida. Apesar de a ferramenta reunir automaticamente dados de diversas fontes, a conferência antes do envio continua sendo responsabilidade do contribuinte. Segundo Edelberg, se uma informação vier errada ou incompleta na base da Receita, cabe à pessoa física identificar a divergência e corrigir antes ou depois do envio.
Os pontos que exigem maior atenção são rendimentos recebidos de mais de uma fonte, despesas médicas, informes bancários, previdência, dependentes e dados de bens e investimentos. Segundo o especialista, pequenas diferenças de valor, omissões ou dados incompatíveis já são suficientes para reter uma declaração, já que a Receita cruza informações em diferentes bases.
O prazo para envio da declaração do IRPF 2026 termina em 29 de maio. A entrega fora do período gera multa por atraso. A ordem de pagamento das restituições também leva em conta a data de envio e a ausência de inconsistências, além dos critérios legais de prioridade já previstos.

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