No dia 19 de abril, a Floresta Nacional do Cerrado de Paraopeba se transformou em palco para o lançamento do álbum Caliandra, do coletivo Show Interior. O evento foi gratuito e aberto ao público, fundindo música, poesia e paisagem num espetáculo de imersão no cerrado mineiro.
O projeto parte de uma escuta atenta do interior de Minas Gerais. Com forte influência do universo literário de Guimarães Rosa, o repertório evocou o cotidiano dos vaqueiros e cantadores, a mística do povo rural e a força ancestral do cerrado. A proposta do grupo é investigar a identidade mineira por meio de uma roupagem musical contemporânea que dialoga com as raízes da MPB sem abrir mão da sensibilidade do presente.
Idealizadora do projeto, a cantora e compositora Adriana Maciel — que vive em Ouro Preto há quinze anos mas mantém suas origens em Paraopeba — explica que o título não é uma escolha casual. “Caliandra representa toda a força feminina que existe nesse cerrado mineiro, a força feminina do povo rural”, disse ela. O diálogo com Guimarães Rosa, segundo a artista, nasce da universalidade das emoções: um emaranhado que atravessa o cerrado, o barroco e as emoções mais fundas do ser humano.
O álbum foi gravado no distrito de Amarantina, em Ouro Preto, e traz composições autorais de Adriana Maciel. A performance ao vivo contou com direção cênica de Du Sarto, direção musical e violão de Gustavo Souza, além de André Vitorino na sanfona, Tiago Valentim na percussão e João Pedro Marques no violoncelo. A preparação vocal foi de Letícia Afonso e os arranjos, de Maxsuel Sancho.
O Caliandra é um dos quatro projetos selecionados em todo o estado pelo edital FEC Minas em Cena, o que atesta o reconhecimento institucional da proposta. A apresentação na FLONA contou ainda com interpretação em Libras por Flaviana Rodrigues, reforçando o compromisso com a democratização do acesso à cultura.

Deixe uma resposta