Dois macacos-barrigudos, primatas considerados vulneráveis à extinção, foram transferidos do Mato Grosso para o Santuário Onça Pintada, em Presidente Juscelino, cidade próxima de Curvelo. A operação contou com a participação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso, do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
No mesmo transporte seguiram também nove jacarés-do-Pantanal albinos e um tamanduá-mirim, todos resgatados em diferentes municípios mato-grossenses, entre eles Cuiabá, Juína e Confresa. Antes da viagem, veterinários realizaram exames clínicos em todos os animais para garantir segurança durante o deslocamento e, desde a chegada, equipes acompanham diariamente a adaptação ao novo ambiente.
A transferência integra os chamados Planos de Ação Nacional para espécies ameaçadas, com estratégias que abrangem os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. O objetivo central envolve o fortalecimento de programas de reprodução e a preservação genética das espécies recebidas.
O macaco-barrigudo ocupa um papel fundamental no equilíbrio ambiental da Amazônia por ser um dispersor ativo de sementes e contribuir diretamente para a regeneração florestal. A espécie, no entanto, enfrenta pressões graves causadas pelo avanço do desmatamento, pela caça ilegal e pela destruição de habitats. Estimativas apontam que a população pode diminuir mais de 30% nas próximas décadas. A situação é agravada pela lenta maturidade sexual do animal e pelo baixo número de filhotes ao longo da vida.
O Santuário Onça Pintada preparou estruturas específicas para receber os animais, com espaços que reproduzem condições próximas ao habitat natural e garantem alimentação adequada. A iniciativa também abre caminho para pesquisas sobre comportamento e genética das espécies, com vistas a futuras ações de reintrodução na natureza.
A legislação brasileira proíbe a captura, o transporte e a comercialização de animais silvestres sem autorização ambiental. A Lei Federal 9.605 de 1998 prevê pena de prisão e multa para quem praticar crimes contra a fauna.
Especialistas ressaltam que iniciativas como essa são essenciais para evitar o desaparecimento de espécies e fortalecer a proteção da biodiversidade brasileira. A articulação entre órgãos ambientais, centros de conservação e equipes veterinárias tem sido apontada como peça-chave para ampliar as chances de sobrevivência desses animais.

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