Uma cachaça produzida no coração de Minas Gerais acaba de colocar o Brasil no mapa das bebidas orgânicas mais reconhecidas do mundo. A Flor das Gerais, destilada em Felixlândia, na região Central do estado, conquistou pelo segundo ano consecutivo uma medalha no Concours International des Produits Biologiques, realizado na França e considerado um dos concursos mais prestigiados do segmento de bebidas orgânicas no planeta.
O reconhecimento deste ano veio com a Porto Douro, rótulo extra premium da destilaria. A bebida é envelhecida por dez anos em tonéis de carvalho europeu e finalizada em barris que antes armazenaram vinho do Porto. Lançada em 2024, a Porto Douro já acumula uma medalha de ouro no Concurso de Qualidade da Cachaça da Emater-MG e levou a destilaria à lista dos cinco alambiques mais sustentáveis do Brasil, segundo o Mapa da Cachaça.
O feito tem um peso histórico para o setor: o Brasil possui apenas duas medalhas no concurso francês, e ambas foram conquistadas pela Flor das Gerais. No ano anterior, a marca havia recebido medalha de ouro com o rótulo Dorna Única, envelhecido por quatro anos em amburana.
Daniel Duarte, engenheiro agrônomo e responsável técnico da empresa, representa a quarta geração da família à frente da produção e atribui o reconhecimento a um trabalho construído ao longo de décadas com foco em qualidade e sustentabilidade. O concurso avalia bebidas produzidas sem agrotóxicos e reúne vinhos, cervejas e destilados de diversos países, com degustações às cegas sob critérios internacionais rigorosos e certificação ISO 9001.
A trajetória sustentável da Flor das Gerais é anterior à moda do orgânico. Em 2009, a marca tornou-se a primeira cachaça certificada como orgânica em Minas Gerais, com selo do Instituto Mineiro de Agropecuária. A transição começou há mais de 20 anos, quando a fazenda abandonou o modelo convencional de produção.
A história da destilaria ultrapassa um século. Produzida na Fazenda Mourões, a marca mantém até hoje um engenho de madeira tracionado a bois, construído em 1912 pelo bisavô de Daniel. A operação atual ocupa 60 hectares, produz cerca de dez mil litros por ano e chega a triplicar o número de trabalhadores durante a safra, entre maio e setembro.
A Porto Douro integra um reposicionamento estratégico iniciado em 2017, que envolveu pesquisas acadêmicas, análises sensoriais e estudos sobre envelhecimento. A Dorna Única foi o primeiro resultado desse processo, lançada em 2022. Um terceiro rótulo especial já está em desenvolvimento e deve chegar ao mercado entre 2028 e 2029.
A premiação chega às vésperas do Dia Mineiro da Cachaça, celebrado em 21 de maio, e reforça que Felixlândia e o interior de Minas têm muito a dizer sobre o futuro da bebida mais brasileira do mundo.

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