O governo federal propôs um salário mínimo de R$ 1.717 para 2027. O valor foi incluído no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias enviado ao Congresso Nacional em 15 de abril e representa aumento nominal de 5,92% em relação ao piso atual.
O cálculo segue a política de correção baseada em dois componentes: a projeção de 3,06% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor acumulado até novembro, somada ao crescimento do PIB de dois anos antes. No entanto, o ganho real — acima da inflação — está limitado pelo novo arcabouço fiscal, aprovado em 2024, que estabelece teto de crescimento das despesas entre 0,6% e 2,5%. Na prática, isso significa que mesmo com crescimento econômico mais elevado, o reajuste do salário mínimo não pode ultrapassar esse limite.
O projeto também traz projeções para os anos seguintes, com trajetória de valorização gradual: R$ 1.812 em 2028, R$ 1.913 em 2029 e R$ 2.020 em 2030. Os valores são estimativas iniciais e podem ser revisados nas próximas versões da proposta orçamentária.
A política de valorização do salário mínimo havia sido retomada em 2023, com base na fórmula que combina inflação e crescimento do PIB — modelo adotado entre 2006 e 2019. Com o novo arcabouço fiscal, porém, o mecanismo passou a operar dentro de limites mais rígidos para o controle das despesas públicas.
O impacto da decisão vai além do bolso do trabalhador. O valor do salário mínimo tem efeito direto sobre despesas obrigatórias da União, como aposentadorias, pensões e benefícios sociais, tornando sua definição um dos principais pontos do planejamento fiscal do governo.

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