Uma expedição de bicicleta vai percorrer 1.647 quilômetros entre Cordisburgo, em Minas Gerais, e Brasília ao longo de trinta dias, seguindo os rastros do universo literário de João Guimarães Rosa. A Expedição Sertão de Guimarães tem saída marcada para o dia 16 de maio, às 8h, na Fazenda Paulista, em Cordisburgo, cidade natal do escritor, e é promovida pelo Museu de Território Caminhos de Rosa.
Sob coordenação do museólogo André Ferreira, a jornada tem três eixos principais: validar trajetos pouco documentados, registrar saberes tradicionais transmitidos pela oralidade e estruturar um sistema turístico digital, gratuito, bilíngue e autoguiado para futuras visitas. A proposta é tratar o próprio território como um museu sem paredes, cujo acervo está nas práticas cotidianas — receitas tradicionais, manejo do carro de boi, cultura vaqueira e modos de vida rurais que resistem ao tempo.
A bicicleta será o principal meio de deslocamento, favorecendo o contato direto com a paisagem e o acesso a regiões de difícil circulação motorizada. Duas caminhonetes farão suporte logístico, garantindo segurança e registros audiovisuais ao longo do percurso.
O roteiro passa por pontos de forte apelo histórico e ambiental. Em Cordisburgo, a expedição parte do Museu Casa Guimarães Rosa e da Gruta do Maquiné, referência da paleontologia brasileira. O trajeto segue por Andrequicé, território de Manuelzão — personagem real que inspirou obras de Rosa —, onde a Capelinha de Nossa Senhora do Rosário e o Museu do Manuelzão preservam a memória sertaneja. Mais adiante, o Rio São Francisco aparece em Pirapora e Buritizeiro, com passagem pela histórica Ponte Marechal Hermes.
Na porção norte do percurso, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu reserva formações geológicas monumentais, pinturas rupestres com mais de nove mil anos e a Gruta do Janelão, onde está uma das maiores estalactites do mundo. Já no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, a equipe atravessará chapadas e áreas de biodiversidade preservada, habitat de onças-pintadas e lobos-guará. A chegada a Brasília, pelo lado goiano por Cabeceiras e Formosa, representa também a integração do projeto à Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso.
Ao final da expedição, todo o material coletado será transformado em guia digital permanente. O projeto mira ainda o reconhecimento internacional do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu como Patrimônio Mundial da Unesco, e pretende fortalecer comunidades rurais, quilombolas e pequenos produtores ao longo do trajeto.

Deixe uma resposta